Editorial semanal

Deus não tem bom gosto

Rev. Cristiano Zioli

Picasso, revolucionário artista do início do século XX, disse certa vez que “o bom gosto, ou o bom senso, é o inimigo da criatividade”. Em outro momento, ele diz que “em arte, procurar não significa nada. O que importa é encontrar”. Rich Mullins, um dos mais viscerais compositores cristãos das décadas de 1980 e 1990, afirmava que, quando diziam a ele, na sua adolescência, que Deus o amava: “Isso não me faz mais especial do que ninguém. Isso só prova que Deus tem um mau gosto!”

E graças a Ele por isso! Toda a conversa de perfeição e de sermos achados prontos e fortes cai por terra diante daquele Pai que corre atrás do filho sujo que volta para casa. Todo o discurso legalista de usos e costumes se desintegra diante da figura do Bom Pastor que, deixando as 99 no aprisco, vai atrás da ovelha perdida até achá-la. Um Deus tão grande que, antes de me dizer onde estou errado, me diz que sou aceito por inteiro!

Deus viu a forma grosseira, de muito mau gosto e amou. Amou a ponto de entregar Seu filho para trazer de volta para casa, de volta para o aprisco aquilo que havia fugido! Jesus é expert em emboscadas. Um amor tão furioso só poderia ter nos tirado da lama para onde somos atraídos constantemente e preferimos ficar, na base do sacrifício. O vermezinho de Jacó, o barro que foi transformado em ser vivente, o injusto, o traidor, aquele que nega, foram amados por Deus. E esse amor transforma todo aquele que o recebe em nova criatura! Não é uma questão de bom gosto. É uma questão de encontro!

 
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