Editorial semanal

A esperança dói

Rev. Cristiano Zioli

“Esperança do verbo Esperançar”, já dizia o filósofo e professor brasileiro Mario Sérgio Cortella. Esperançar tem a ver com causar esperança no outro, com alimentar essa que seria, na minha opinião, a demonstração mais viva e pura da fé. Aliás, Paulo diz que de todos os dons e de todas as manifestações mais incríveis que o homem pode viver, apenas três permanecem: fé, esperança e o amor. Porém, ele diz que das três, a mais importante é o amor. Isso me leva a seguinte conclusão: esperançar sem amar é o mesmo que esperar que a massa cresça sem fermento, que o ser humano saia andando sem o fôlego de vida!

O fim de um ano se aproxima, e com ele nasce novas expectativas. Não as confunda com esperança. Esperança tem a ver mais com suor e dor do que com alegria e satisfação. É necessário que sejamos nós a visão da esperança em nosso modo de viver e de se relacionar, assim como Cristo foi. Dar esperança não é alimentar expectativas, é visualizar realidades. Por isso a fé é importante nesse processo, porque ela me ajuda a ver realidades que ainda não se romperam na história, a ter uma certeza, quase que maluca, de fatos que não se vêem.

Esperançar é movida por fé e cheia de amor. É ter uma fé imaginativa capaz de sonhar e viver com um mundo mais justo dentro do meu círculo de ação. Se o mundo ainda não é o lugar ideal, sou chamado para ser esse que, sim, usa sua vida como exemplo de quão justo, amoroso, doce ele pode se tornar. Por isso que esperançar dói, mas é a dor da borboleta que sai do casulo, da lagosta que sai da casca, da farpa que sai do dedo; é uma dor que cura!

 
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