Editorial semanal

Mais de Deus para irmos além

Rev. Cristiano Zioli

Eduardo Galeano, jornalista e escritor uruguaio, disse certa vez: “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”. A perseverança é um ato utópico. Continuar crendo quando tudo aponta para uma total desilusão, para uma total desesperança, é algo revolucionário.

Somos o povo que leva o nome de Deus e Sua mensagem ao mundo. Uma mensagem que consiste em boas notícias no meio de um turbilhão de más notícias. Vemos o mundo e, mais especificamente, o Brasil e não temos esperança alguma de um futuro melhor e próximo. Olho para os meus filhos e fico imaginando, e isso me tortura em certo sentido, o que os espera, o que estará à frente deles. Perseverar é insistir no absurdo, é crer no milagre, é andar quando todo mundo corre, é ir na contramão de tudo o que se está falando e vendo. Paulo chega ao fim de sua vida e chega à seguinte conclusão: “Combati o bom combate”. – ele não diz se o venceu, mas que o combateu; completei a carreira – não diz se em primeiro ou em último lugar, mas sim, que está completa; guardei a fé – ou em outras traduções, mantive a fé, perseverei!

Talvez tenhamos mais motivos para desistir do que para continuar. Talvez tenhamos mais razões para deixar de crer do que para continuar crendo. E a fé é justamente isso; é não ter motivo para crer. Não nos guiamos por vistas, por circunstâncias e nem pelo que o jornal da manhã nos diz. Nós somos um povo movido a prosseguir, somos um povo que vai, que é peregrino e não para de andar até chegar ao destino final.

 
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